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quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Site Ficha Limpa: sucesso na rede

Em almoço oferecido a jornalistas em sua sede, nesta segunda-feira (16/8), o Instituto Ethos, ao lado da Articulação Brasileira contra a Corrupção e a Impunidade (Abracci) e do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), apresentou um balanço do site Ficha Limpa.


Lançado pela Abracci, da qual o Instituto Ethos faz parte, e contando com o apoio do MCCE, o site é um instrumento suprapartidário da sociedade civil que busca estimular o exercício da cidadania e do controle social. Constitui-se num cadastro voluntário e positivo dos candidatos à presidência da República, aos governos estaduais, ao Senado e à Câmara Federal que atendem os requisitos da Lei Ficha Limpa e se comprometem com a transparência em sua campanha eleitoral.

Desde que entrou no ar, no último dia 29 de julho, o site já recebeu a visita de 100 mil internautas, 10 mil deles cadastrados para receber informações. Mas ainda são poucas as adesões de candidatos.

“O baixo número de candidatos inscritos não nos surpreende. Só vão se cadastrar aqueles que estão realmente comprometidos com a transparência de sua campanha”, diz Oded Grajew, presidente do Instituto Ethos. “Por outro lado, é muito positivo e animador o grande acesso que o site está tendo por parte do público.”

Até agora, cadastraram-se no Ficha Limpa apenas um candidato a presidente da República – Plínio de Arruda Sampaio, do Psol –, dois candidatos a governos estaduais – Fernando Gabeira, do PV-RJ, e Soraya Tupinambá, do Psol-CE –, seis candidatos ao Senado e 28 candidatos à Câmara Federal, totalizando 37 inscritos.

Os candidatos a senador cadastrados são: Cadu Valadares (PV-DF), Marcelo Cerqueira (PPS-RJ), Paulo Afonso (Psol-SC), Raul Jungmann (PPS-PE), Ricardo Young Silva (PV-SP) e Rodrigo Rollemberg (PSB-DF).

Os concorrentes à Câmara Federal inscritos no site são: Adelmir Santana (DEM-DF), Alessandro Molon (PT-RJ), Altair (PV-SP), Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ), Ari Barcellos (PSC-SP), Carlos Sampaio (PSDB-SP), Carlos Sica (PHS-PR), Chico Alencar (Psol-RJ), Eduardo Sciarra (DEM-PR), Eliseu Padilha (PMDB-RS), Israel Lacerda (PTB-SP), Ivan Valente (Psol-SP), José Luiz (PSDB-SP), Junji Abe (DEM-SP), Leonel Camasão (Psol-SC), Marcelo Calero (PSDB-RJ), Marco Antônio dos Santos (PV-RS), Mateus Novaes (Psol-SP), Maurício Costa (PPS-SC), Napoleão Bernardes (PSDB-SC), Natan Soihet (PV-SP), Paulo Serejo (PMDB-DF), Prof. Cardy (PTC-SP), Raul Sanchez (PSDB-SP), Reguffe (PDT-DF), Renato Roseno (Psol-CE), Tsylla Balbino (PV-BA) e Vicente Paulo da Silva (PT-SP).

Há 75 pedidos ainda não aceitos, por problemas na documentação exigida pelo site. De acordo com Caio Magri, gerente-executivo de Políticas Públicas do Ethos e secretário-executivo da Abracci, o principal motivo dessas recusas é o fato de o candidato ainda não ter declarado as contas de campanha em seu próprio site. Aliás, a falta de atualização de contas é que originou as seis denúncias até agora registradas. Mas a administração do site entrou em contato com esses candidatos, que prontamente regularizaram sua situação. Não houve nenhum caso de descadastramento.

Nervo exposto

“O site Ficha Limpa vai além da lei”, informa Paulo Itacarambi, vice-presidente executivo do Ethos. “Uma das principais exigências é que os cadastrados atualizem semanalmente a prestação de contas da campanha, com informações sobre doadores, valores recebidos e gastos realizados.”

“Estamos tocando num nervo exposto da política brasileira, que é o financiamento de campanha. Quase cem por cento dos casos de corrupção no país têm alguma relação com doações de campanha e ‘caixa dois’”, afirma Grajew. “O site permite verificar as entradas e saídas de dinheiro, o que ajuda a detectar possíveis irregularidades.”

Indagado sobre como barrar a entrada de candidatos com ficha suja, Luciano Santos, representante da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo no MCCE, disse que o site Ficha Limpa não é um selo de qualidade, mas tem critérios rígidos. “Se o candidato atender a todos os requisitos do site, sobretudo se declarar regularmente todas as doações de campanha e os nomes dos doadores, será aceito.”

“Se alguém usar o site de forma irregular, seus adversários ou a própria imprensa deverão denunciá-lo, e será muito pior para ele”, completou Grajew.

Financiamento público Alguns candidatos argumentam que seus doadores não permitem que seus nomes sejam revelados. Mas, para Grajew, a transparência absoluta é que é o ideal: “A doação não deveria jamais envolver troca de favores. O apoio a um candidato teria de ser por uma razão política. No entanto, a maioria dos nossos políticos trabalha prioritariamente para retribuir aos investidores das campanhas.”

De acordo com o presidente do Ethos, esse é o grande problema do financiamento privado no Brasil. Para ele, os países com os maiores índices de desenvolvimento humano do mundo, como Noruega e Dinamarca, dispõem de um sistema público de financiamento político e doações individuais em quantidades bem pequenas. Até mesmo nos Estados Unidos há um movimento empresarial para mudar a forma de financiamento de campanhas, o que já vem ocorrendo em vários Estados. “Ao conseguirmos mudar o sistema de financiamento, iremos ampliar a oportunidade para que pessoas de bem que não tenham recursos também possam se candidatar.”

Como apenas um candidato à presidência da República se registrou até agora, o Instituto Ethos e as organizações que integram o movimento Ficha Limpa vão encaminhar uma carta aos partidos e aos presidenciáveis, conclamando sua adesão ao site. “Os candidatos a presidente devem dar o exemplo”, encerra Grajew.

Para acompanhar os candidatos cadastrados no site Ficha Limpa, acesse www.fichalimpa.org.br.

Por Benjamin Gonçalves e Cristina Spera (Instituto Ethos)

domingo, 13 de junho de 2010

Do Estadão | ''Não é possível mais conviver com corrupção"

Chico Whitaker, coordenador da Abracci

Otimista, ele acredita que a mudança no texto feita pelo Senado não vai implicar problema para aplicação da lei

12 de junho de 2010 | 0h 00

Moacir Assunção - O Estado de S.Paulo

Futuro. ‘‘Vamos trabalhar para garantir a aplicação da lei’


Um dos coordenadores nacionais da Articulação Brasileira contra a Corrupção e a Impunidade (Abracci), o ex-vereador Chico Whitaker teve a oportunidade de dar, em primeira mão, a um grupo de alunos de um curso de política do qual ele participava, na quinta-feira, a notícia da aprovação do projeto Ficha Limpa - agora Lei 135/2010, votada e sancionada - para as eleições deste ano.


Otimista, Whitaker considera que a mudança no tempo verbal da lei aprovada na Câmara e Senado não implica qualquer problema para a aplicação da lei. O Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) - rede de 44 entidades que encampou a proposta - se prepara para montar um site por meio da Abracci para acompanhar, nacionalmente, a efetivação da lei. "A vitória no TSE foi um belo avanço. Isso provou que em toda a sociedade há o sentimento de que não é possível mais conviver com a corrupção e a impunidade na política brasileira", comemorou.


Quais os próximos passos do movimento após a vitória no TSE?

Vamos trabalhar no sentido de garantir a aplicação da lei. Naturalmente, haverá muitas impugnações de candidatos pela Justiça e contestações à lei que poderão chegar ao Supremo Tribunal Federal. Pretendemos fazer uma grande mobilização para acompanhar a aplicação da lei.


A decisão do TSE, respondendo à consulta do senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) sobre a validade da lei para estas eleições, surpreendeu o MCCE ?

O mais importante, para além da decisão por um placar de 6 a 1, é que, ao responder favoravelmente à consulta, o TSE admitiu, implicitamente, a constitucionalidade da lei. Quando fizemos, também por iniciativa popular, a Lei 9.840, que pune a compra de votos, o TSE colocou de volta na lei uma expressão que os deputados haviam retirado segundo a qual o parlamentar pode sofrer a pena se um preposto seu comprar votos.


E a polêmica questão dos tempos verbais após os acréscimos no Senado?

Não há, ao contrário do que se disse, problema algum para a aplicação da lei no ato do registro dos candidatos, em 5 de julho próximo, quando só poderá se registrar quem tiver ficha limpa. Quem matou a charada foi o Duque de Caxias que, na Guerra do Paraguai, disse: "sigam-me os que forem brasileiros". A expressão "os que forem" significa exatamente "os que são". Este é o espírito da lei e é assim que, temos certeza, será encarado pela Justiça. Aliás, o próprio relator, ministro Hamílton Carvalhido, disse que o artigo terceiro da lei refere-se a fatos já ocorridos.


O que se pretende para o futuro?

Vamos entrar em outras lutas. A Ficha Limpa e a Lei 9.840 são alguns passos no sentido da moralização da política brasileira, mas sabemos que há muito a fazer. Existe a ideia de se utilizar a estrutura dos cerca de 300 comitês no País para começar a discussão sobre uma reforma política que inclua temas como financiamento público de campanhas, fidelidade partidária, coligações, voto em listas, suplentes de senadores sem voto, número de cargos de confiança em gabinetes e vários outros pontos. O detalhe é que uma lei de iniciativa popular talvez não servisse nesse caso porque ela só pode ter um tema específico e a reforma deve ser bem mais ampla.


QUEM É

Arquiteto de profissão, é sócio-fundador da ONG Transparência Brasil e representante da Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo no MCCE e na Abracci. Foi vereador de São Paulo pelo PT e líder do governo de Luíza Erundina (hoje no PSB). Foi um dos fundadores do partido, do qual saiu em 2006.

Fonte: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100612/not_imp565432,0.php
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segunda-feira, 19 de abril de 2010

Veja depoimentos de quem participou do debate do Estadão, em 16/4/10



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Do Estadão - ONGs reforçam pressão por 'ficha limpa'

Em evento promovido pelo 'Estado', entidades defendem a tese de que, aprovado agora ou não, projeto ajudou a mudar cultura política

19 de abril de 2010 | 0h 08

Moacir Assunção - O Estado de S.Paulo

O futuro do chamado projeto ficha limpa, em apreciação no Congresso Nacional, foi o principal assunto discutido em debate promovido pelo Estado, na sexta-feira, 16, que reuniu no salão nobre da empresa as sete principais Organizações Não-Governamentais (ONGs) da área de fiscalização da atividade política e o Ministério Público Federal (MPF). A importância de o projeto ser votado a tempo de valer para as eleições deste ano – em maio, antes das convenções de junho – e de ser mantido o texto original, sem emendas que o descaracterizem, foi o principal consenso do encontro das ONGs.


Veja também:


Ouça a íntegra do debate

Assista aos depoimentos dos representantes das ONGs


Durante a discussão, mediada pelo jornalista Roberto Godoy, os participantes foram questionados se consideram que o Congresso vai votar o projeto e o que ocorrerá se isso não acontecer. As entidades pressionam os deputados para que a proposta, considerada um marco no combate pela transparência e contra a criminalização da política, seja aprovada logo.

Apesar de apoiado por 1,6 milhão de eleitores de todo o País por meio de assinaturas entregues ao Congresso, o projeto não teve aprovado o seu pedido de urgência urgentíssima para tramitação e está em discussão na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) até o fim deste mês, sob o compromisso de que retornará ao plenário em 5 de maio para votação.

Pela internet, as entidades já estão pressionando os parlamentares para evitar emendas que descaracterizem o texto negociado na Casa. “Se vai ser aprovado e a tempo não sabemos, mas o mais importante é que a discussão está posta e é irreversível a mudança na cultura da sociedade. A população tem acompanhado com muito interesse este debate. Estamos criando um círculo virtuoso para que as pessoas de bem passem a se interessar por política”, defendeu Jorge Donizeti Sanchéz, da Amarribo.

Luciano Santos, do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), afirmou não ter dúvida de que o ficha limpa será aprovado. “Nossa expectativa não é se vai passar. É que tem que passar. Não há outra resposta que o Congresso possa dar a essa questão”, avaliou. “O que nos parece é que o presidente da Câmara (Michel Temer – PMDB-SP) está efetivamente interessado na aprovação. A votação em plenário deveria ter acontecido há duas semanas, mas as manobras regimentais que foram feitas para atrasá-lo demonstraram que há muitos interesses contrários ao projeto. Há consequências, no entanto, desse pensamento que já chegou à sociedade. O PV baixou resolução que só admite candidato que tenha ficha limpa. Isso demonstra que esse debate está surtindo efeito. O PDT de Brasília também determinou, em meio ao escândalo, que só aceitará postulantes a cargos públicos com passado sem problemas com a Justiça.”

Claudio Abramo, da Transparência Brasil, discordou dos colegas no que diz respeito à apreciação rápida do projeto. “Não é totalmente tranquila assim a aprovação ou que seja aplicável a esta eleição. Surgirão contestações que farão referência à lei eleitoral”, disse. “Fomos olhar a legislação dos países desenvolvidos para ver como é a questão das eleições em relação a pessoas que têm processos e em nenhum deles há proibição. Seria uma inovação no Brasil. Aqueles que se oporão, que são muitos, irão ao STF para contestar, com certeza”, continou Abramo. “O princípio da inocência até prova em contrário, que é o trânsito em julgado, vai ser aventado, com certeza, para combater a proposta.”

Chico Whitaker, da Articulação Brasileira de Combate à Corrupção e à Impunidade (Abracci), contestou: “Quero colocar em dúvida sua informação (de Abramo). Recebi dos colegas do MCCE, entre os quais juristas, promotores e juízes, a informação de que há vários outros países com legislação muito mais dura do que o que estamos fazendo aqui. Mas a indignação do cidadão tem crescido bastante. Nestes dias, conversei com a deputada federal Luíza Erundina (PSB-SP), condenada em última instância por assunto que não tem a ver com improbidade e ela me disse para ficar despreocupado, que ela pagaria o preço de não poder participar da eleição se fosse o caso. Achei isso uma enorme demonstração de ética da parte dela.”

O procurador eleitoral Pedro Barbosa Neto lembrou que a questão do ficha limpa, embora seja uma discussão nova na sociedade já está prevista na legislação. “É possível que tenha confrontos no STF e isso faz parte. O que os senhores estão fazendo, na verdade, é corrigir uma mora do Judiciário. No artigo 14 inciso nono da Constituição já se fala em vida pregressa do candidato. Este é um preceito constitucional desde 1994.”

Barbosa Neto esclareceu, ainda, a preocupação de Abramo, da presunção de inocência, frequentemente usada pelos adversários do ficha limpa para tentar desqualificá-lo. “No Brasil, de vez em quando há a banalização de direitos fundamentais. A presunção de inocência está ligada ao direito penal e nós estamos falando de legislação eleitoral. A questão é relacionada à precaução do cidadão”, disse.

Para Maurício Broinizi, do Movimento Nossa São Paulo, o projeto oferece um marco político fundamental à política brasileira. “O ficha limpa constitui um questionamento profundo dessa política que se instalou no Brasil a ponto de precisarmos que o candidato ao poder político demonstre que não tem currículo que o desabone”, defendeu. No País, a atividade política é identificada pela juventude como tendo relação direta com a corrupção, o que é muito complicado.”

Rosângela Giembinsky, do Voto Consciente, disse que os parlamentares precisam lembrar-se bem de suas responsabilidades ao votar a lei. “Nossos parlamentares estão perdendo a oportunidade de escrever a história desse País. Eles estão defendendo a classe corrupta, que não está no Congresso, que são os vereadores e prefeitos que os elegeram. A sociedade está madura para esse momento e o está pedindo. Nossos congressistas estão perdendo a possibilidade de passar para a história desse País.”

Gilberto Palma, do Instituto Ágora em defesa do Eleitor e da Democracia, afirmou que espera a aprovação o mais rápido possível do projeto. “O tema da ficha limpa se constitui um marco que tem todas as características do antes e do depois da política brasileira, em termos de sua evolução e da democracia no Brasil.”

Se o projeto não passar e, portanto, não valer para as eleições de outubro, Santos, do MCCE, afirmou que as entidades farão listas de candidatos que têm problemas com a Justiça para evitar que os eleitores votem neles. “A própria Abracci já se manifestou nesse sentido”, revelou.

Eleições Municipais


Além do ficha limpa e das grandes questões nacionais, os representantes das ONGs presentes ao evento concordaram que é preciso investir no âmbito local, nas eleições nos municípios, nas quais, no entender da maioria, se iniciam os problemas com corrupção eleitoral.

“Eu estou esperando ansiosamente as eleições de 2012. Esta sim vai fazer diferença. A vida se passa nas cidades. A Amarribo tem feito esta ligação entre as pessoas inconformadas e indignadas nas pequenas e médias cidades. Temos um kit com 50 arquivos que é enviado para as ONGs locais da nossa rede de 190 entidades, no sentido de qualificá-las para fiscalizar o poder público municipal”, disse Sanchéz.

Abramo, por sua vez, defendeu a tese de que, para além de uma questão cultural, a corrupção tem raízes econômicas, centradas nas relações políticas na cidade. “Oitenta por cento dos municípios brasileiros dependem de repasses do governo federal para sobreviver e todo mundo depende da prefeitura nos recantos mais distantes. Numa situação destas não há o contraditório local.”

Whitaker concordou. “O problema é que tudo isso é uma rede de compromissos, de cumplicidade. No sistema eleitoral brasileiro, a base é o vereador, e a coisa é terrível. Cansamos de ouvir as pessoas dizerem que ‘no meu município, o cara entrou na política pobre e saiu rico’. O Legislativo é importantíssimo porque o prefeito não pode fazer nada sem a autorização dos vereadores, e se eles se vendem ao Executivo a situação fica muito difícil.”

Broizini lembrou que, graças à Constituição de 1988, as cidades assumiram um papel bem mais importante que em outras épocas da história do País. “A Constituição transferiu para os municípios um conjunto de responsabilidades e recursos bem maiores que antigamente. Como a base do mau uso do dinheiro público ocorre nas cidades , acredito que é fundamental que a gente coloque este debate em todas as esferas e que não fique restrito às fichas das candidaturas”, afirmou. “Há uma lei que deve entrar em vigor em um mês e meio que é a 119, conhecida como Lei Capiberibe, que considero fundamental para estabelecer a transparência da administração pública. Muitas vezes os mecanismos de corrupção não vão para a ficha do candidato porque há meios institucionais de manipular as informações”, disse.

A rede de corrupção


Além de pressionar os próprios candidatos a cargos públicos no sentido de impedir a candidatura dos chamados fichas-sujas, as entidades consideram importante que os partidos também sejam forçados a recusar candidaturas de pretendentes com problemas na Justiça.

Abramo defendeu a tese de que a política brasileira está invadida por aventureiros. “Quem são os responsáveis pela escolha dos candidatos? Os partidos políticos. Uma das perguntas que se precisa fazer é como se poderia estimular as agremiações a vetar o ingresso de pessoas que têm características que não recomendam que entrem na vida pública. Os partidos também precisam ser fiscalizados para evitar problemas com fichas-sujas.”

Whitaker fez discurso semelhante. “Poderíamos dizer aos candidatos o seguinte: mesmo que ele pessoalmente não seja ficha-suja, pode estar sendo apoiado por uma rede na qual há problemas sérios de corrupção. A Abracci está abordando a questão da cultura política do brasileiro, desde que o querido e pobre Gerson, pobre porque foi usado, disse que tem que levar sempre vantagem em tudo”, recordou. “Sempre me lembro de situações que presenciei em que o sujeito dizia que fez algo porque o chefe fazia. ‘Se ele pode, porque eu não posso’, era o raciocínio mais comum.”

Rosângela, do Voto Consciente, acrescentou que há uma desproporção entre o número de cidadãos em geral e políticos processados no País. “ Dez por cento, em média, das pessoas respondem a ações judiciais. No Congresso, esse número é pelo menos duas vezes maior.” Whitaker ponderou que nem sempre os políticos são processados por improbidade, mas muitas vezes por força de interesses poderosos contrariados no município.

Futuro


E o que se pode esperar do futuro da cidadania na construção de uma sociedade mais preocupada em fiscalizar seus representantes nos poderes públicos? Com exceção de Abramo, que demonstrou uma postura mais pessimista, os demais concordaram que a sociedade civil tem obtido, aos poucos, mais qualificação para fazer o controle democrático dos políticos em todos os níveis, o que deve contribuir para melhorar a participação política.

“A exemplo da Lei 9.840, também aprovada por uma lei de iniciativa popular há dez anos e que já levou à cassação de mais de mil pessoas por compra de voto, o ficha limpa é pedagógico, porque demonstra à sociedade que ela pode participar do projeto legislativo”, afirmou Santos, do MCCE.

Broizini lembrou que, nos últimos anos, várias iniciativas de ONGs como a que ele próprio representa convergiram no sentido de fornecer instrumentos à cidadania para fiscalizar políticas públicas. “Hoje, a sociedade tem dados, indicadores e planos de metas para acompanhar e fiscalizar as ações governamentais. Existe até uma metodologia de fiscalização dos executivos municipais desenvolvida pela Amarribo, com ótimos resultados. Se a gente juntar essa cultura que foi acumulada por esse conjunto de entidades da sociedade civil teremos condições não só de estabelecer o que é proibitivo para autoridades públicas como criar um novo padrão de fiscalização da atividade política”, opinou.

Whitaker também demonstrou otimismo. “ A Abracci começou esse processo pela inversão, explicando como denunciar e encontrar caminhos para superar a cultura da corrupção. Agora. a política de acompanhamento é um processo um mais longo. A gente está dando passos. Em 1964, por causa do golpe militar, houve aquela interrupção de um processo que estava caminhando. A política passou a ser um negócio perigoso. Não se podia falar de temas políticos em casa porque isso era até arriscado. Tudo isso vai andando e criando a impressão na população de que é possível fazer mudanças”.

Esse processo, entretanto, é longo na visão do veterano militante. “A ficha limpa é uma etapa. O único problema é que são passos longos demais. A cada dez anos damos um na construção de uma sociedade mais cidadã. Eu sei que é duro, mas as leis de iniciativa popular têm um efeito pedagógico extraordinário. Logo depois da aprovação da Lei 9.840, que pune a venda de votos, tivemos notícias de câmaras que tiveram 100% de renovação, Houve um caso famoso de Juciape (BA), em que um prefeito foi cassado porque deu uma caixa d’água a um eleitor e a tomou de volta quando perdeu a eleição. Em suma, aos poucos o político vai percebendo que vale a pena ser honesto.”

Ele, que acompanha a tramitação do Ficha Limpa no Congresso pela Abracci e MCCE, contou que durante a exposição do projeto em Brasília no início de abril, 30 parlamentares se inscreveram para discursar e apenas quatro se colocaram contrários à proposta. “Eles usaram argumentação típica de quem nem se deu, ao menos, ao trabalho de ler o projeto, se referindo à presunção da inocência e a temas relacionados a isso”, explicou.

Abramo se declarou pessimista quanto ao futuro. “ Eu discordo de que a corrupção na política ocorra devido a fatores culturais ou tenha a ver com a notória falta de relação entre eleitor e eleito. Me parece ser consequência das condições estruturais da política brasileira, por exemplo, o fato de as câmaras e assembleias não funcionarem. Isso ocorre porque o Executivo tem o poder de comprar o Legislativo com cargos. É tudo muito objetivo e o processo se faz objetivamente. Não é cultural, não é moral, não é um problema ético, é material. Como se resolve isso? alterando a Constituição e limitando drasticamente a quantidade de pessoas que o administrador, seja do Executivo, Judiciário ou Legislativo, pode nomear.”

Sanchéz considera que há avanços, apesar dos percalços. “Há anos atrás, não tínhamos a lei de responsabilidade fiscal (LRF). Recentemente, foi aprovada no Congresso a lei de acesso às informações públicas. Avanços estão acontecendo não na velocidade que nossa sensibilidade cidadã gostaria, mas não sou pessimista a ponto de achar que as mudanças não estão ocorrendo. É possível sim uma cruzada cidadã em prol das transformações. Vamos fazer a nossa parte como cidadãos.”

Santos afirmou que conversar com as pessoas nas filas de adesão ao projeto Ficha Limpa pelo País representou a sua principal motivação para acreditar que o País pode mudar em termos de avanço da consciência cidadã.

“Nessa semana tivemos o caso de um deputado distrital em Brasília que saiu do cárcere para assumir a sua vaga como representante da população no Parlamento. Quando ouvíamos as pessoas nas filas elas diziam, por outro lado, que pela primeira vez viam alguém querendo fazer algo. É com esta festa no arraial como o caso de Brasília que queremos acabar com o projeto Ficha Limpa”, comentou.

Palma afirmou que além do ficha limpa é necessário haver uma mudança de mentalidade na política brasileira “Partidos cumpriram um papel importante, mas é preciso observar os atores que estão emergindo”.

Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,ongs-reforcam-pressao-por-ficha-limpa,540036,0.htm
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domingo, 13 de dezembro de 2009

Jorge Hage convoca conferência nacional contra a corrupção, com apoio de Luiz Dulci, no encerramento do Seminário Nacional da Abracci

A declaração do ministro fechou o seminário “Superando a Cultura da Corrupção”, em resposta à moção de apoio da Abracci (ver abaixo), que congrega instituições da sociedade civil em um movimento nacional contra a corrupção e a impunidade.

Grande parte das instituições filiadas à Articulação Brasileira contra a Corrupção e a Impunidade (Abracci) esteve reunida em Brasília, nos dias 9 e 10 de dezembro, para buscar novas perspectivas e saídas para o problema da corrupção no Brasil. O principal resultado do evento foi a convocação, por parte do ministro-chefe da Controladoria Geral da União (CGU), Jorge Hage, com apoio da Secretaria-Geral da Presidência da República, comandada pelo ministro Luiz Dulci, para a 1ª. Conferência Nacional pela Transparência, Controle Social e contra a Corrupção, que deverá acontecer em 2010.

De acordo com a Abracci, o processo de uma conferência nacional abre a oportunidade para a construção de políticas públicas, a partir da participação democrática dos cidadãos, fortalecendo as relações e princípios federativos. Processo esse que, ao contemplar necessariamente a realização de conferências municipais e estaduais, empodera as articulações da sociedade civil e compromete os diferentes níveis de governo.

“Se conseguirmos avançar nesse sentido, será um grande passo para o país. Esse é o objetivo do movimento liderado pela Abracci em 2009, que sem dúvida receberá ainda mais força em 2010, com a realização de uma conferência nacional nesse sentido”, afirma Caio Magri, assessor de políticas públicas do Instituto Ethos, que responde também pela secretaria executiva da Abracci.

Outros dois aspectos foram bastante discutidos no seminário: o papel da educação e também de uma mídia independente na superação da cultura da corrupção.

Dentre os palestrantes convidados do seminário estava Bruno Speck, da ONG Transparência Internacional, que sugere alguns passos para diminuir a corrupção: estabelecer tetos para gastos em campanhas eleitorais, combinar financiamentos públicos e privados nas campanhas e a participação de partidos e cidadãos nas decisões sobre a distribuição de fundos públicos.

“O modelo híbrido de financiamento público ou privado das campanhas tem potencial de quebrar o impasse atual da reforma, que promete tudo, mas nunca anda. O sistema de financiamento público cidadão devolveria à população a capacidade de influir sobre o processo representativo, papel que há muito perdeu para o setor privado”, afirma Speck.
Paula Martins, da ONG Artigo 19, e Veet Vivarta, da Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi), trouxeram um amplo panorama da comunicação e da disseminação de informações na mídia brasileira, ressaltando o papel da imprensa no combate à corrupção. Foi levantada a importância da liberdade de imprensa e a responsabilidade dos profissionais de mídia e também foi lembrado que a população deve sempre estar atenta e ter uma visão crítica com relação ao que é veiculado na imprensa.

Também participaram do evento Fábio Oliva, da Associação dos Amigos de Januária, Bo Mathiasen, diretor do escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) para o Brasil e Cone Sul, José Antônio Moroni, do Instituto de Estudos Socioeconômicos, Lígia Pavan Baptista, professora de ética na administração pública, da Universidade de Brasília, Rita Biason, doutora na Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Oded Grajew, presidente emérito do Instituto Ethos e membro do seu conselho deliberativo, Chico Whitaker, da Comissão Brasileira de Justiça e Paz, Moisés Rabinovici, diretor do Museu da Corrupção, Jorge Donizeti Sanchez, da ONG Amarribo, Marisa Seoane Rio Resende, do GT de Empresas pela Integridade e contra a Corrupção, Arimatéia Dantas, do movimento Força-Tarefa Piauí, e Marlon Reis, do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral.

Moção de apoio à Convocação da Conferência Nacional pela Transparência, Controle Social e contra a Corrupção


Em setembro de 2009, o Seminário Nacional de Controle Social realizado em Brasília pela Controladoria Geral da União, propôs a realização de uma Conferência Nacional pela Transparência, Controle Social e contra a Corrupção.

Entendemos que o processo de uma conferência nacional abre a oportunidade para a construção de políticas públicas, a partir da participação democrática dos cidadãos, fortalecendo as relações e princípios federativos. Processo esse que, ao contemplar necessariamente a realização de conferências municipais e estaduais, empodera as articulações da sociedade civil e compromete os diferentes níveis de governo.

Nos últimos anos aconteceram bem-sucedidas conferências nacionais, convocadas pelo governo federal, sinalizando claramente que a sociedade brasileira está amadurecida também para ser protagonista na construção de políticas públicas de transparência e controle social.

Sabemos que o processo para a realização de uma conferencia nacional é longo e exige comprometimento de setores governamentais e da sociedade civil, planejamento e estratégias para envolver todos os entes federativos e os recursos públicos necessários para garantir a efetividade e a participação democrática da sociedade.

Nesse sentido, a Articulação Brasileira Contra a Corrupção e a Impunidade (Abracci) e os participantes do Seminário Nacional “Superando a Cultura da Corrupção” vêm manifestar seu apoio e compromisso com a mobilização da sociedade civil para a realização da 1ª. Conferência Nacional pela Transparência, Controle Social e contra a Corrupção.

Brasília, 10 de dezembro de 2009.

Fonte: ABRACCI - http://abracci.ning.com/forum/topic/show?id=3429899%3ATopic%3A1662&xgs=1&xg_source=msg_share_topic
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segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Seminário nacional - Superando a cultura da corrupção

Abracci debate “cultura da corrupção” em Brasília

Seminário “Superando a cultura da corrupção” será realizado em 9 e 10 de dezembro no auditório do Tribunal de Contas da União (TCU), em Brasília.

A Articulação Brasileira contra a Corrupção e a Impunidade (Abracci) vai realizar em Brasília, nos próximos dias 9 e 10 de dezembro, o seminário nacional “Superando a cultura da corrupção”. O evento pretende discutir alguns aspectos da realidade brasileira que precisam ser enfrentados para que se construa uma “cultura da integridade” que permeie todos os aspectos da vida nacional.

As discussões serão divididas em três plenárias que discutirão, respectivamente:

- No dia 9 de dezembro:
Produção de Conhecimento e Informação, com a participação das professoras Lígia Pavan Baptista (da Universidade de Brasília - UnB) e Rita Biason ( a Universidade Estadual Paulista – UNESP) e José Antônio Moroni (do Instituto de Estudos Socioeconômicos – Inesc).

- No dia 10 de dezembro:
Desafios para a mídia independente, com as presenças de Chico Whitaker, Veet Vivarta, Paula Martins e Moisés Rabinovici.

O que estamos fazendo? Com representantes da Associação dos Amigos de Ribeiro Bonito (Amarribo), da Força-Tarefa Piauí, da Federação da Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), representando o Pacto Empresarial pela Integridade e contra a Corrupção, e do Ministro Jorge Hage, da Controladoria Geral da União (CGU)

No dia 9, das 17h30 às 19h, haverá o lançamento da versão em português do relatório da Transparência Internacional, com palestra de Bruno Speck. Já no dia 10, na hora do almoço, os participantes do seminário vão poder participar de uma manifestação no Congresso Nacional em apoio ao Projeto de Lei Complementar 518 / 2009, que prevê a inelegibilidade, para qualquer cargo de qualquer instância, de candidatos com condenação a qualquer cargo.

As inscrições são gratuitas e podem ser feitas por meio do link http://www.ethos.org.br/sistemas/eventos/conf_evento.asp?id=262

Serviço
Seminário “Superando a Cultura da Corrupção”
Data: 9 e 10 de dezembro de 2010
Horário: das 9h às 18h
Local: Auditório do TCU – Brasília – DF

Fonte: ABRACCI - http://www.abracci.ning.com/
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